sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tempo de ...

Um pequeno intervalo no estudo:


Tempo de Poesia
Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
António Gedeão


Tempo de ...

 Óleo sobre tela 25x23cm, Museu Dalí, São Petersburgo. Tempo

As aulas terminaram oficialmente no dia 9 de Junho... Mas ainda há a meta final dos Exames Nacionais! Agora é tempo de estudar, é tempo de aulas de apoio ... É tempo de recordar conhecimentos, de aprofundar outros!  Mas também já é tempo de balanço... 

Chegámos ao fim desta  viagem...
Foi uma viagem dura, difícil, mas que nos deixou a todos, no final destes três anos, a certeza do dever cumprido!
Foram três anos, 36 meses, 1080 dias, milhares de horas e muitos mais milhares de segundos....  ficámos mais velhos!! ... mas mais sábios. Aprendemos muita coisa mas acima de tudo, aprendemos que a amizade conta, aprendemos que nada se faz sem esforço, aprendemos que nada na vida se consegue sem luta e sem trabalho,aprendemos a saber ouvir e deixar ouvir, aprendemos que a união faz a força,aprendemos a respeitar e  ser respeitados.
Foi com o  fantástico  Fernando Pessoa e todos os seus amigos imaginários, o Grande Luís de Camões e a sua Epopeia dos Descobrimentos  , Padre António Vieira e os seus sermões que muito nos ensinou,  José Saramago mais o seu Memorial, Eça de Queirós e tantos tantos outros,  não esquecendo , claro está  a nossa Professora Rosário (fantástica) que com a sua calma e sabedoria nos foi tentando levar a bom porto.
Depois o nosso Professor Francisco, com a sua Filosofia e Psicologia e também a sua inteligência,  mostrou-nos  o mundo visto de outra maneira: Sócrates, Platão, Descartes,Freud, Piaget, António Damásio e tantos tantos outros.... Também ele, um dos Almirantes deste grandioso navio.
 A Professora Maria de Jesus com a sua também sabedoria  foi, umas vezes com muita velocidade, outras mais devagar, nos preparando da melhor maneira possível, desde o famoso Rei Sol a Napoleão, da  1ª grande Guerra à 2ª, passando por toda a história de Portugal,  e as várias crises em todo o mundo, foi  também ela uma timoneira desta viagem, que nos parecia não ter fim e que agora a tão poucos dias de ter terminado, deixa já tantas saudades.
O Professor Joaquim e  os seus “cromos” (como ele próprio nos chamava) de Economia,também teve uma palavra a dizer na forma como nos conduziu.
Não podemos esquecer todos os outros: Cristina Cosme, José Carvão,Carla (História do 10º)Carlos (Economia 11º) e tantos outros que embora não sendo nossos, acabaram por nos dar algum contributo.
Foram de facto 3 anos de luta, de aflições, de cansaço ,de altos e baixos, de alegrias e tristeza,de divertimento, mas acima de tudo de amizade e comprensão, mas chegámos ao fim da viagem, com o sabor da vitória e de termos conseguido atracar sem sobressaltos. O troféu esse ainda não o conseguimos , pois ainda nos espera a batalha final.
Por último uma palavra de apreço a todos os nossos colegas que por uma situação ou outra não conseguiram seguir viagem.... a esses, uma palavra de coragem para continuarem, pois de-certo irão conseguir!!!
Para terminar, uma vez mais um grande abraço a todos os professores que nos guiaram.
ATÉ SEMPRE!! NUNCA OS  VAMOS ESQUECER!!!
Cila Silva

domingo, 5 de junho de 2011

Os cartoons de João Abel Manta e a ditadura de Salazar

João Abel Manta (n. 1928), filho dos pintores Clementina Carneiro de Moura  e Abel Manta, diplomou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1951.
Tem desenvolvido intensa actividade não só como arquitecto, mas também como pintor, cenografista e artista gráfico (cartaz, filatelia, ilustração e "design" de livros, jornais e revistas). É considerado o melhor "cartoonista" português deste século, na senda de Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart Carvalhais e Leal da Câmara, tendo obtido diversos prémios nacionais e estrangeiros (...).     
http://www.ci.uc.pt/artes/manta/dicionario.htm (adaptado em 05/06/2011).

Através dos seus cartoons, representou de forma magistral o contexto político e social do Estado Novo e igualmente a época revolucionária do 25 de Abril. 
Relativamente ao primeiro período, vejamos os seguintes em que representa os pilares que sustentavam Salazar:

 
 
 IN  http://somethingexperimental.blogspot.com/2009/04/joao-abel-manta_17.html
Para alargar os seus conhecimentos, visite:

sábado, 4 de junho de 2011

A Música de Intervenção nos anos 60

A denominada  Música de Intervenção é uma resposta contra a  emigração, contra a guerra colonial, contra  a ditadura que cerceava a liberdade...
Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira,  Francisco Fanhais, José Mário Branco serão os expoentes máximos de um grupo bastante mais alargado.




Para conhecer melhor a vida e obra de José Afonso:
http://alfarrabio.di.uminho.pt/zeca/coro.html 


Para ouvir outras canções:
http://deltagata.no.sapo.pt/adriano.html

A Poesia de Intervenção dos anos 60

A Geração de 1960
Por volta de 1960 intensifica-se a oposição ao fascismo salazarista. Começaram a surgir, na poesia portuguesa, tendências e orientações que vieram modificar os hábitos de leitura que prevaleciam naquela época. A colectânea Poesia 61 foi um marco importante, incluindo textos de Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta.  (...)
Podemos considerar a poesia portuguesa, desenvolvida entre as décadas de 60 e 70, uma poesia de intervenção, uma vez que se observa que a resistência política e social dos escritores da época acompanha todo o processo de institucionalização de um Estado repressivo e conservador. Esta poesia acompanhou todo o processo de luta, intensificada durante os períodos eleitorais, os conflitos laborais e académicos, durante a guerra colonial e, posteriormente, durante o intenso processo que se seguiu à revolução de Abril de 1974. Relacionado com este período conturbado da história contemporânea portuguesa alinha-se um grupo de poetas cuja fase de consagração se liga directamente com uma atitude polémica de crítica político-social, grupo este que inclui nomes como Luís Veiga Leitão, Egito Gonçalves, Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco, António Gedeão, José Afonso, Sérgio Godinho, José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, José Jorge Letria, entre outros.
http://www.citi.pt/cultura/temas/a_geracao_de_1960.html

Fala do Homem nascido
Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

António Gedeão In Teatro do Mundo, 1958



terça-feira, 31 de maio de 2011

Para ajudar a compreender Felizmente há luar!

A acção de Felizmente há luar! decorre em 1817, uma época conturbada do ponto de vista político, económico e social. Como teve oportunidade de verificar, existe um paralelismo entre esta época  e o tempo em que  a peça foi escrita, início dos anos 60 do século XX. 

Para aprofundar os seus conhecimentos sobre o início do século XIX, pode consultar o artigo da Infopédia:
http://www.infopedia.pt/$liberalismo-em-portugal

Quanto aos anos 60, consulte:

http://www.infopedia.pt/$oliveira-salazar

http://www.humbertodelgado.pt/WebFHD/index.jsp

http://www.infopedia.pt/$crise-academica-de-1962

 http://www.infopedia.pt/$guerra-colonial,2



domingo, 29 de maio de 2011

Luís Sttau Monteiro


Nome: Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro
Nascimento: 3-4-1926, Lisboa
Morte: 23-7-1993, Lisboa
Ficcionista, autor dramático, encenador e jornalista português, formado em Direito, Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu a 3 de abril de 1926, em Lisboa, e morreu, também nesta cidade, a 23 de julho de 1993. De ascendência espanhola, viveu uma parte da adolescência em Inglaterra, onde o seu pai foi embaixador.
Nos anos 70 do século XX, desenvolveu atividade como jornalista, tendo colaborado com o Diário de Notícias e com o Expresso e, na década seguinte, dirigido Confidencial (1984) e colaborado como guionista de uma novela televisiva.
Iniciou a sua carreira literária com a narrativa Um Homem Não Chora, obra saudada como uma revelação da ficção portuguesa contemporânea, a que se seguiu um romance de grande êxito, Angústia para o Jantar, onde se salientam a "ironia, o gosto pela sátira, a distanciação emocional, o cinismo [...] e, no plano estilístico, a vivacidade dos diálogos." (FERREIRA, António Mega - "Um Homem e a Sua Obra", introdução a Angústia para o Jantar, Círculo de Leitores, s/l, 1986, p. VIII).
Situado numa segunda geração neorrealista, foi sobretudo pela sua obra dramática que viria a ser consagrado, recebendo com Felizmente Há Luar!, em 1962, o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores. Essa peça histórica, que recorda a rebelião do general Gomes Freire de Andrade, foi proibida pela censura tendo sido representada no nosso país apenas em 1978.
As suas sátiras sobre a ditadura e a Guerra Colonial, fruto do seu espírito crítico e combativo, tornaram-no objeto de perseguição política, chegando mesmo a ser preso como quando publicou A Estátua e A Guerra Santa.
Embora levadas à cena por companhias estrangeiras, poucas peças de Luís de Sttau Monteiro foram representadas em Portugal antes do 25 de abril, excetuando-se As Mãos de Abraão Zacut, estreada em 1969 pela Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, sob a direção de Luzia Maria Martins.
Homem essencialmente de teatro, Sttau Monteiro foi ainda autor de uma adaptação da novela O Barão, de Branquinho da Fonseca, e de várias traduções de autores dramáticos como Shakespeare ou Ibsen, que ele próprio levou à cena.

Bibliografia: Um Homem Não Chora, Lisboa, 1960; Angústia para o Jantar, Lisboa, 1961; Felizmente Há Luar!, Lisboa, 1961; Todos os Anos, pela Primavera, Lisboa, 1963; O Barão, Lisboa, 1964; Auto da Barca do Motor fora da Borda, Lisboa, 1966; A Guerra Santa, Lisboa, 1967; A Estátua, Lisboa, 1967; As Mãos de Abraão Zacut, Lisboa, 1968; Sua Excelência, Lisboa, 1971; E se For Rapariga chama-se Custódia, 1978; Crónica Atribulada do Esperançoso Fagundes, Lisboa, 1981.

Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-05-29].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.